Quem decide o que uma criança vai querer daqui a cinco anos?

Dra. Luciana Sabbatine Neves começa por uma cena. Uma criança de dez anos, sozinha no quarto, luz apagada, só o brilho da tela no rosto dela.
O que acontece com a criança autista quando ela vira adulta?

Antes de advogar por pessoas autistas, Ariane Faria conviveu com uma dentro de casa. Renan, seu irmão, hoje um adulto de vinte anos, é autista.
Por que o sistema só acredita no que consegue medir?

Uma perna quebrada aparece no raio-X. Uma depressão grave, não. É nessa assimetria, a da doença que não se enxerga num exame, que Simone Padoin concentrou a advocacia.
Se o direito existe, por que ele não chega?

Quando uma família com uma pessoa autista procura Simone Romano, quase nunca está no começo do problema. “Está no limite. Em geral é uma terapia interrompida porque o plano de saúde negou cobertura, uma escola que recusou a matrícula ou cobrou taxa extra pelo acompanhante, um benefício negado pelo INSS.
A negativa do plano é o fim da conversa?

Raizy Lopes já advogou para uma operadora de saúde antes de passar a defender pacientes. Conhecer os dois lados, diz, permitiu “compreender como uma operadora pensa, quais são os critérios utilizados nas análises e como determinadas negativas são construídas”.
Por que quem cuida da saúde dos outros se aposenta pior?

Há uma categoria que, na previdência, larga na frente e quase nunca percebe. “Os profissionais da saúde são os poucos que conseguem acumular 3 aposentadorias”, diz Claudia Martins.
Quem promete resultado na aposentadoria está vendendo o quê?

Dra. Najara Lima ocupa dois lugares que quase nunca se encontram: é previdenciarista e relatora de uma turma do Tribunal de Ética e Disciplina da OAB.
Por que a Previdência cobra da mulher o tempo em que ela cuidou?

Depois de anos em previdência, Emilia Albuquerque encontrou uma imagem para o que vê todo dia. Ver segurados perderem benefícios por falhas estruturais e análises equivocadas, diz, “fez com que eu refletisse sobre a máquina que é o INSS e o corpo que é o segurado, pois até que ponto a máquina está respeitando o corpo diante de tantas violações aos direitos sociais e fundamentais”.
E quem não consegue atravessar a porta do aplicativo?

Hoje quase tudo no INSS passa por um aplicativo: o pedido, o agendamento, a prova de vida, a consulta. O sistema pressupõe alguém com celular, internet e familiaridade digital. É aí que Valéria Navarro Neves, previdenciarista há mais de trinta anos no noroeste paulista, aponta o problema.
Quem está formando quem vai defender você?

Há algo fora do lugar nas aulas de Juliana Magati, e é de propósito. Num curso conhecido pela tradição, pela vestimenta e por um vocabulário que assusta, ela entra na sala com giz de cera, lápis de cor, canetinhas, cadernos de desenho, jogos de tabuleiro e referências da Disney.