Considerada pela Forbes uma das CEO’s mais influentes do Brasil, Rachel Maia é contabilista e executiva que ascendeu exponencialmente ao mesmo tempo em que contribuía para o rompimento de barreiras às diversas questões de desigualdade no mercado corporativo brasileiro. Criada na região periférica da capital paulista, caçula de sete filhos em uma família de onze pessoas, Rachel desempenhou um papel memorável em suas passagens enquanto CEO da Tiffany & Co., Pandora e Lacoste. “Foram muitos os desafios sendo uma mulher negra. Porém, foquei em definir onde e quando esses desafios estão sob minha responsabilidade. Eu precisei e preciso ajustar a rota diversas vezes, mas isso não significa deixar de sonhar, pelo contrário, eu sonho e planejo todos os dias. E é muito importante que fique claro que não sonhei lá na escola estadual João de Deus, no extremo da Zona Sul/SP, já ser a presidente. Minha balança tem mais nãos do que sins. Sabe quantas vezes fui reprovada para tirar o driver’s license em Miami? Seis. Vergonhoso, mas não sou uma pessoa que desiste. Tenho tantos desafios, mas tive um olhar bem atento às oportunidades”.

Ganhadora do prêmio Líder do Ano 2020 da Revista Exame, a executiva representa de forma honrosa os menos de 1% dos CEO’s negros no Brasil e serve de inspiração para mulheres e negros na América Latina. Hoje, segue como presidente, mas agora de sua própria empresa: a RM Consulting ESG. Além de palestrante e colunista, também é chairwoman do conselho da UNICEF e fundadora do Projeto Capacita-me. “O que você decidir ser, seja de forma plena. Quando sou mãe, sou de forma plena e quando sou a presidente, também é assim. O seu valor, a única pessoa que pode sequer pensar em definir, é você mesmo. Cada um tem o seu e isso não pode ser ignorado”.

Graduada em contabilidade e com MBA, Rachel também concluiu o curso de Negociação e Liderança do Programa de Educação Executiva da Harvard Business School e o treinamento de Gerenciamento Geral na Universidade de Victoria na Colômbia Britânica, no Canadá. Em seu ponto de vista, o ano de 2020 foi de inflexão e a presidente acredita que o aprendizado gerado durante a crise será levado daqui para frente. “Antes da pandemia, já havia tomado a decisão da participação em conselhos. Foi uma virada para os meus 50 anos. Refleti e passei a entender que tudo que vivi e falo nas palestras, poderia ser compartilhado com as empresas. Afinal, passei por multinacionais e boa parte da minha jornada foi somente no universo corporativo. Mas, além disso, já tinha meus projetos sociais, como o Capacita-me, com o viés na educação e empregabilidade de pessoas em situação de vulnerabilidade. A princípio, tiraria sete anos sabáticos, mas a vontade de continuar trabalhando e impactando companhias e pessoas foi maior. Por conta disso, fundei a RM Consulting para prestar consultoria em varejo, liderança e diversidade & inclusão”.

“Como sou focada em B2B, especialmente em serviços pautados na área intelectual, tais como consultoria, mentoria, treinamento e desenvolvimento, não estamos sentindo tanto impacto da pandemia quanto em outros setores”. Porém pondera ao sugerir possíveis movimentos no atual cenário econômico: “É preciso avaliar com muita cautela. Depende do segmento, área de atuação, canal de distribuição etc… Além disso, hoje, metade da população vive insegurança alimentar, ou seja, não tem garantia alguma se terá o que comer amanhã, segundo pesquisa coordenada pelo Grupo de Pesquisa Alimento para Justiça. Temos que enxergar a crise sim e agir para reverter a situação”.

“Recentemente, lancei meu primeiro livro, a autobiografia ‘Meu caminho até a cadeira número um’. Eu quero que outras pessoas leiam e entendam que minha história é básica, muito simples, e mesmo assim eu ousei. O joelho ralou pra caramba, quebrei a cara, portas se fecharam na minha frente, mas continuei tentando. Nunca desista de seus sonhos. Adapte o que for necessário. Se uma porta se fechar, busque outra. Sempre busque outra. Você vai cair muitas vezes, receber muitos ‘nãos’. Faz parte, mas não desista. Sonhe, planeje e realize!”

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fotografia: cláudio gatti
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